No meio do Oceano Atlântico, existe uma ilha: A Graciosa. É a segunda ilha mais pequena dos Açores e, hoje, vivem lá pouco mais de 4.000 pessoas.Eu fui uma delas.
Durante 18 anos, aquela ilha foi o meu mundo.E quando somos crianças, não percebemos a sorte que temos.Vamos a pé para a escola.Brincamos na rua até anoitecer.E voltamos para casa sozinhos, porque ali toda a gente conhece toda a gente.Atravessamos a rua e estamos no mar. As noites são passadas na praça.Na Graciosa, quando perguntamos por alguém, explicamos quem é ao perguntar “É filho de quem?” “Mora onde?”
Crescemos todos um bocadinho juntos. Mas depois crescemos. E começamos a achar que aquela calma é aborrecida. Que precisamos de mais. Mais pessoas. Mais oportunidades.Mais mundo.E então partimos. Vamos estudar, vamos trabalhar, vamos à procura de um futuro maior.
E só quando saímos é que percebemos uma coisa:é preciso sair da ilha para conseguir ver a ilha. Percebemos que aquilo que chamávamos de “aborrecido” era paz. Para voltar a casa, demoramos um dia inteiro em voos e ligações.E muitas vezes, nem chegamos no próprio dia.
Vivemos rodeados de mar, mas também aprendemos a viver com a distância. E talvez seja por isso que cada partida dói tanto. Passam os anos. E aquele lugar que durante tantos anos quisemos deixar…passa a ser o lugar onde mais queremos voltar.
Foi aí que percebi que precisava de trazer um bocadinho da minha ilha comigo. Aquela sensação de chegar a casa. O cheiro a maresia. O som do mar. A natureza. A simplicidade. A tranquilidade.
Foi assim que nasceu a Graciele.
Uma marca inspirada na Graciosa. Uma homenagem à ilha onde cresci. Mas, acima de tudo, uma forma de levar para a vida de outras pessoas aquilo que eu tive a sorte de sentir durante os primeiros 18 anos da minha.
Porque podemos ir para longe. Podemos conhecer o mundo inteiro. Mas há lugares que ficam para sempre dentro de nós.
A Graciele nasceu na Graciosa. E nasceu para trazer um bocadinho dessa ilha até vocês.